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sábado, 31 de outubro de 2009

Contente!

Eu não me contento.
Não me contento com o pouco, o mesquinho, o fraco.
Não me contento em dormir com a noite toda pela frente.
Não me contento com uma vida, quando posso ter todas as vidas possíveis.
Meu corpo não aguentaria, minha existência e materialidade filosófica se aniquilariam.
Mas ainda assim, incontentável.
Como me contentaria?
Assim, incontente, sofro de várias sortes de violências da existência.
Violências que não se contentam.

domingo, 23 de agosto de 2009

Relacionamento moderno

Ela - temos duas opções: ou a gente transa, ou a gente conversa.
Ele - ah, vamos conversar então...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Onania

Depois do êxtase, o mundo morre.
Morre porque o resto todo é ilusão.

domingo, 24 de maio de 2009

Amanda

"Amanda brasa, saiu de casa, passou batom e quebrou a asa.
Esculturada, a mais notável
Que voz bonita, que tom amável.

Entrou no bar, alguém a olhava.
Num só segundo, notou que amava.
Pensou:
Meu silicone são mamas eternas
e o meu "cacho", fracasso entre as pernas
- Óh Deus, faço tudo que quiser, mas não me deixe gostar de mulher!

A outra, na dúvida pior do mundo,
não sabia que Amanda, era Raimundo.
Pensou:
- Óh Deus, faço tudo que quiser, mas não me deixe gostar de mulher!

Relutaram contra a força do destino
Sem saber que em seus olhos, já casavam a menina com o menino.
Nas vibrações do amor latente, foram viver maritalmente,
Pareciam inocentes noutros assuntos, mas quando transavam gozavam juntos.
Vícios, complexos e papos, compensavam seus trapos.
Mas, veja só o que Amanda fez:
Virou macho de vez! O Raimundo burguês!

- Adeus Raimundo e sua face mesquinha,
não sou mais sua escrava de cama e cozinha
Você era doce, não tem o que tinha
Te cuida, amor.
Te amo, Mundinha.
Adeus. Adeus. "

-Vane Pimentel

[Ouçam a banda vandaluz, música "mulher da roça".
Magnífica[s].]

terça-feira, 21 de abril de 2009

Anúncio

EMPRESTA-SE OU ALUGA-SE AMOR
De boa qualidade
Amplamente personalizável
Versões 'platônico', 'carnal' ou 'mix'
Sem prazo definido
Sugere-se apenas não criar apego,
pois posso exigi-lo de volta a qualquer instante

contate-me na mesma rua, mesma vida de sempre.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A puta

"Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta."

- Carlos Drumond de Andrade

Eu quero a puta!
[pois as que amam também odeiam. se magoam, me torturam. me magoam, as torturo. e o ciclo macabro se finda no sonho que não alcanço, o ciclo fatídico prossegue na realidade de que não me livro. e as realidades trocam-se aleatoriamente, minhas realidades e vossas realidades, no ímpeto louco da idéia bipolar que é o amor, morrendo a cada segundo na espinha dos românticos, matando-os a cada segundo. sou romântico que morre da doença dos não-romanticos, por vezes o contrário. mas morro e sempre morro.]
[mas nem a puta funcionou.. keep walking..]

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Monotone, monocromatic, monotheistic

Kael's got her at his bed
Inegately empty he declared
"Let me see what she's got"
Lovely nude made him mad
Monocromatic ridiculous sex
Ended his heart and mind bad

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Sinto [ou não]

Encosta a palma da tua mão no meu peito; e tua cabeça, deita em mim.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Egocentrismo e dominação

"-A que horas você tem que ir à faculdade? - perguntei, dando-lhe a entender que não pretendia me demorar em seu apartamento.
-Teria que ir às sete. São seis.
-Teria que ir? - insisti.
-Sim, caso você queira que eu vá...
-Por que não ia querer?
-Por que talvez você não queira ficar aqui sozinha me esperando - respondeu com um sorriso irônico na cara.
Ele tinha assumido que eu ficaria, com prepotência (eu queria que ele quisesse que eu ficasse, mas não ia dizer nada). E continuamos conversando sobre algum assunto supérfluo quando percebi que eram seis e meia.
-Você não vai conseguir chegar à faculdade...
-E se eu não quiser ir?
-Você tem que ir.
-Por quê?
-Porque não pode faltar. Além disso, não quero impedi-lo.
-Tem certeza?
-Faça como quiser, de todo jeito, já estou de saída.
-Mesmo?
-Sim, não tenho mais o que fazer aqui. Vim para conversar um pouco e já falamos o que havia para falar. Já posso ir.
Com uma postura dominadora ele pôs-se de pé atrás de mim. Eu estava quase tremendo. Ele pôs as mãos nos meus ombros e falou que eu tinha um machucado nas costas. Arrancou uma casquinha com a unha. Não me mexi. Estava tremendo. Ele começou a me massagear, acariciou minhas costas, me beijou no pescoço.
-Parece que você não esta reclamando - disse, arrogante.
Os beijos e as carícias se tornaram mais contínuas, então resolvi me mover e fingir que me despedia.
-Será que sua namorada vai gostar do que você está fazendo?
-Para mim você gostar já é o suficiente - respondeu.
-Muito bem, já vou.
-Tem certeza de que quer ir?
-Não.
-Então por que vai?
-Você tem que ir à faculdade...
-Hã hã - e se aproximava de mim.
-E porque não está certo...
-Hã-hã - agora estava acariciando minhas costas.
-E porque...
-Sim? - agora sua boca estava a meio centímetro da minha - Quer ir? Vamos, se quiser - respondeu e se afastou de mim.
Claro que não fui."

CIELO LATINI. Abzurdah [pg.105-106]

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Fruto de uma inspiração alheia

Estava frio, um nevado inverno, e ouvia uma sutil chaleira mais adentro. Observava-te, petrificada com o frio e o vento, com os cabelos soltos a se dispersar no sopro gélido. Aproximando-me, pego tua mão, beijo-a, tomo-te em uma dança, silenciosa, a musicar em nossas mentes, por alguns instantes. Cesso por um momento, sutilmente, enrolo-te em um cobertor, e noto tua face mais corada, sussurro-o. Beijo-te, sim, agora nos doces lábios, e prosseguimos. A sutileza extasiante nos faz, assim, devanear insanamente, e nada mais importa.

A inspiração alheia

"...Havia neve, fragoroso som de chaleira; estava petrificada com o frio e o vento, meus cabelos soltos se dispersavam, pegava minha mão, beijava-a e dançávamos um instante, em seguida enrolava-me em um cobertor e dizia que eu havia corado, beijava-me, agora nos lábios, e prosseguíamos. Devaneava insanamente enquanto as colisões perfeitamente elásticas e inelásticas suplicavam-me respostas. Dei-as"

domingo, 13 de julho de 2008

Sobre a curvatura do universo

Assim como venero a redonda lua e a noite que nos envolve, como creio,
adoro e admiro teus seios,
que arrepiam ao meu toque
e tão quentes sempre me parecem.
sei-os. sei-vos. sê-vos!

sábado, 12 de julho de 2008

O empirismo óbvio

Cada momento agora será o mais profundo.
Cada beijo o mais cheio de amor.
Cada gemido o mais delirante.
Cada situação a menos preocupante.
Cada beleza a mais estonteante.
Cada perspicácia a mais bem apreciada.
Cada vento o mais bem soprado.

E
nessa
descida
louca e lú-
cida hei de ser
cada vez mais a mim
mesmo, o máximo possível.

domingo, 29 de junho de 2008

Posso te dar um beijo?

Beijos, beijos... coisas loucas são eles...
Traduzem toda uma alma, todo o significado de tudo que se trouxe...
É um símbolo do sagrado, do divino,
o beijo é a materialização do que há de mais espiritual e intenso.
Seria cruel negá-lo a quem o mereça...

Por que [ou não] sermos cruéis?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Acordes e corpos silenciosos

O silêncio me assombra e me sossega.
Me assombra tua cabeça tão próxima, e tão silenciosa.
Estamos juntos, nosso calor é um só,
Nossas mentes tão adjacentes, e tão intocáveis,
Meus pensamentos gritam no êxtase que ainda me reverbera,
Seus loucos pensamentos, imagino, cintilam furiosos, por ora saciados,
E ainda assim, mentes gritantes, cabeças tão próximas,
Corações a trocarem batidas [des]compassadas pela pele,
expressões vitoriosas nos rostos,
carinhos a circundar o tato,
sussuros delirantes nos ouvidos,
teu perfume a inebriar meus pensamentos
e teu gosto a girar em minha língua,
ainda assim,
mesmo nessa harmonia e contato e paz,
não ouço sua mente a falar com a minha.

Talvez isso me sossegue.
Mas isso não me importa, realmente.
Tudo está perfeito...
e sei que você também concorda...

sábado, 24 de maio de 2008

Trecho do sonho em outro mundo

Continuo andando pelas ruas
Tudo negro, como gosto
Vento a me acariciar, como me delicio
Lua a me observar, como sonho
E ainda assim, no auge do prazer idealizado
Das cores lindas e visões oníricas
Me mordo e me suspiro
Pois, pelos céus...
Apenas tenho uma lembrança doce e gélida do que me tem e me espera