Já são 3 e meia da manhã, e o contingente de barulho continua impassível. Permaneço sentado contra a parede, exausto e raivoso, assim como meus colegas de banda, espalhados pelo salão. O pedal duplo a percutir o bumbo, somado ao cheiro de cigarros, contribuem para que minha fúria e vontade de estar em casa pudessem ser facilmente captadas.
A escassez de pessoas, a hora avançada, o sono de todos, tornava a idéia de tocar, aquela noite, algo talvez odioso. Meus companheiros de banda, irados com a má organização, queriam ir embora. A vocalista discutia com uma garota do público, que insistia para que tocássemos, que, afinal, o resto das pessoas estava lá para nos ouvir tocar. Nós da banda nos estreolhávamos: tocar ou desistir? Desistir me era quase inconcebível, profundamente lastimante, quatro tardes inteiras gastas para ensaiar para esse maldito festival, e não tocar?! Me mataria de pensar na chance que deperdiçaria.
4 horas da manhã. Entreolhares e mais entreolhares. "Vamos tocar então! Umas três músicas só já dão", disse eu , afinal a paixão por tocar me aliviaria a perturbação mental daquela noite.
Ok, todos concordam. A penúltima banda estava na última música. Todos a postos. Corro e pego meu violino nos backstages. Finalmente a guitarra dá seu último grito e a bateria bate o último prato. Nossa vez. Lá vai a banda pro palco. Não é minha vez ainda. Metal Bucetation, do Massacration. Pronto, microfone ajeitado, subo no palco. Saudações, olhares inusitados, curiosos. "Um violino em uma banda de metal!" Não sinto receio, mas ânimo enorme de tocar. E dá-lhe Evanescence e Nightwish. Problemas de volume do violino, posteriormente consertados. Belos arranjos violinísticos deixaram o público bem; se não pela música, pelo menos pela inusitada estética.
E finalmente finda-se com o Fantasma da Ópera, e então tudo torna-se gargalhadas e comentários felizes. Sonho realizado. Aguardemos a próxima participação erudita no metal local...
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Festivais e violinos
sábado, 19 de janeiro de 2008
Notívago interno
Tão pacata, suave
Tão a nos esperar
Assim me parece a noite.
Sinto seu perfume gélido da janela
Me chama em tonalidades célticas
Um mudo obóe em lá menor me grita
Mas não o ouço
Pois estou preso dentro de mim
e dos outros, ouço silêncio.
A noite, quero sentí-la
Por seus devaneios levado
Por seus beijos enlouquecido
Por suas carícias acalmado.
Ainda assim, estou estático
Não me é desafio que eu possa enfrentar
Ou que eu queira fazer.
Sinto somente as pessoas que não tenho, dentro de mim.
E sinto que me têm, como docemente as deixei.
E a noite está aí, e não tenho escolha, senão dormir
E deixar toda a beleza de lado.
Esperando serena...
domingo, 13 de janeiro de 2008
Tiradentes

Aqui somos eu e o gil, na praça central de tiradentes, tocando para a felicidade dos habitantes, turistas, e de nossa própria felicidade. Além de a música ser passatempo maravilhoso, arrecadar fundos para nossa nobre causa é bem interessante. Arsenal: Folk alemão, Villa-lobos, Improvisos bizarros... Ah, eu amo música...