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domingo, 30 de maio de 2010

O dia estava incrivelmente cinza. O ar gélido e úmido indicava que o céu havia se acabado na noite anterior, e, talvez porque o dia estivesse por nascer, o mundo parecesse tão sem-vida. Ou então pois, sentado no chão inerte, a compactuar, apático, com as raras manifestações de mato que se esgueiravam por entre as frestas da calçada, ele sentisse tamanho desolamento que este se propagava como uma aura mórbida ao seu redor. Os amores não eram justos, os egoístas eram todos, o tédio era regra geral na conduta do universo, e não importava muito o porquê de tudo isso, já que cada pedra e cada poça d'água o diziam em uníssono. Suspirar ou não respirar parecia não ter diferença: o que dizer da vida que não se move, que não que ela tenha sido devorada e tragada de algum modo brutal e impiedoso? Mas mesmo frente a essa reflexão, continuava a respirar como-que-morto, se recusando, covarde, a soltar aquele fio de vida, ainda que aquele vazio apocalíptico o esmagasse por dentro e por fora.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Por hoje tudo me cansa.
E nessa sequência dos dias, vou sem tentar me exceder, pois tudo está exatamente como sempre, apenas minha tolerância apaga com mais facilidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A pintura é

Um dia chuvoso, suave. As venezianas barram boa parte da luz: aquela nociva aos olhos cansados da vida, ou da existência em vigília. O ambiente todo assenta-lhe suave para os sentidos frágeis, inclusive o sofá onde se deita, melacólica-nostagicamente. Ela olha para o teto branco, imaginando que talvez fumaria se pudesse, para tornar a memória áspera da existência cada vez menos real. Felizmente para ela, o ambiente sutil a fez sair de si, e as lágrimas represadas não parecem mais tão nervosas. A respiração parece querer parar a qualquer momento, no transe congelado em que se encontra, mas estranhamente se mantém. Num dado momento, suspira, e se pergunta quanto mais viverá daquele jeito [Ou, mais pessimista, o quanto mais durará a vida - que é só aquilo?]

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A melancolia não quer cura: quer escolta.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Onania

Depois do êxtase, o mundo morre.
Morre porque o resto todo é ilusão.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Morte certius est

-Mas como é estar morrendo?
-É como se fosse uma epifania, uma conversão. Diante do fim eminente, e sem a crença num pós-morte, num paraíso para a eternidade, você entende que assim como a morte é sutil, a vida é sutil. Você enxerga como as coisas que você vinha fazendo eram desimportantes e levianas, que você vinha desperdiçando sua vida, sua energia, em coisas que não significavam nada realmente. Há o sofrimento inicial, mas depois de um tempo começamos a viver a vida de um modo mais pleno, próximo de como deveria ser vivida. É um milagre, um remédio para o espírito, algo que, se todos experimentassem, seriam pessoas melhores.
-E o que será daqui para frente?
-Há, por vezes, o desespero, de que está-se morrendo e só agora começou-se a viver de modo que realmente importe; é quase injusto (mas a vida é justa?). Quero gritar "já aprendi a lição, pode me liberar desse sofrimento agora?!"! Mas quem me ouvirá?! Os deuses estão todos mortos... resta-me abraçar a morte também, afinal...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Hope is a dog from hell

.Vim andando - claro, não poderia fazer outra coisa. O sol já se punha, esfriava o tempo, como quem bane as pessoas para as próprias casas e mentes, na introspecção que é a noite solitária.
.Vim andando, me retendo para não olhar para trás, tentando não alongar esse momento meio frustrante, meio bobo. Mas no ímpeto da curiosidade - ou esperança - me viro sutilmente, e me deparo apenas com a mesma paisagem que aí estivera durante a tarde. Faltou algo, que não sei quando aparece, se aparece, apenas aguardo-me, na humildade que desenterro não-sei-de-onde - talvez seja só um capricho do meu orgulho, que se orgulha na própria camuflagem, a vaidade dando-se a ao luxo de satisfazer a outra vaidade, externa a mim. Faltou, talvez, alguém.. donde um vão na minh'alma toma forma e sussura uma alma.
.Vim andando, derrotado apenas hoje, e no resto dos cânones desse dia que se vai.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Carta desenterrada, mas não menos distante

Dias brancos vêm e vão
Não sei se foi algo que perdi
Ou que não encontrei, que me falta
Sei que tua distância esvai meu sangue
Mesmo que tua memória refaça meu sorriso
Pressinto, sem data, teu encontro
Pelo qual minha alma anseia

3/10/2007

[acho que eu era mais poeta.. ou mais triste..
de qualquer modo, achei isso nos meus registros e lembrei que ficou bom.]

domingo, 14 de dezembro de 2008

Obsessões efêmeras

E novamente as inquietas noites de expectativas,
De não saber o que fazer.
E no saber, resumir-se a esperar
A boa vontade das donzelas,
Que por um sadismo macabro
Não são obsessivas como eu.

sábado, 24 de maio de 2008

Trecho do sonho em outro mundo

Continuo andando pelas ruas
Tudo negro, como gosto
Vento a me acariciar, como me delicio
Lua a me observar, como sonho
E ainda assim, no auge do prazer idealizado
Das cores lindas e visões oníricas
Me mordo e me suspiro
Pois, pelos céus...
Apenas tenho uma lembrança doce e gélida do que me tem e me espera

domingo, 2 de março de 2008

Violin after midnight

It's a rose I'm after, the most beatiful thing of all. Many wish it and dream of it. I look for it 'cause it's perfection, it's a dream, a escape, a magic, a sweet melody played by cellos...

But I start to acknowledge I'm after a thing that's deep inside shadows. Don't know if everyone see those shades, but I do.

It's beautiful, but I don't actually know it deep. I wish it most, dreams and tears and colapses for that black rose; but it's the finest perfection, I need this rose.

Bare dreams are harmless, but proximity hurts. I approach a rose - I don't know its scent, its essence at all - and it hurts. Evil forces, too many wishes and dreams and needs, and so it's away again. Blood and tears are lost again, and again I don't have myself at all, my pieces get scattered through hearts.

You don't having a part of yourself surely makes you crash to reality, as a falling stone in a world of glass. It disturbes you lots. Maybe it's my lonely soul, that dreamin' of roses, black ones or not, drunk in poison or purely asleep.

Only Ravena knows my deep, and I'm still wrapped in chains longing for a rose that can make me feel a soul...



[a quem não se sente a vontade com inglês, apenas ignore...]

domingo, 27 de janeiro de 2008

Qual a graça de jogar xadrez contra você mesmo?

[Ei, relaxa...
Isso, deita e pensa com calma...
As coisas não estão mal; Você quem está com muita coisa em mente.
Não, não pensa nisso... Cada um tem seu elemento; Lembra que a perfeição não é alcançável, por lógica e física; o fato de algo ser perfeito já é um defeito.
Eu sei que essa teoria é sua.
Claro que gosto delas, e sempre estou a ouví-las; acha que eu andaria contigo se não gostasse?
Ah, sabe que também te adoro...
Eu...



...a porta...]