Alguns dias são mais pesados, e geralmente estes se encontram em sequência. A indisciplina te domina pela insatisfação/incoerência com o mundo. Importa-lhe as coisas erradas, e as que deveriam ser consideradas têm teu desprezo. Se possível, come-se e bebe-se mais que o necessário; entretem-se nas coisas mais vadias e banais. E o sono. O pegajoso sono. Não que o período de vigília seja esfumaçado pela sonolência, mas quando tu dormes, não queres ser acordado mais, a realidade alternativa te prende, sucumbes à fraqueza humana da ânsia da ilusão que te tire o peso da existência. Teu desejo torna-se o sono eterno, a analgesia infinita.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Amanda
"Amanda brasa, saiu de casa, passou batom e quebrou a asa.
Esculturada, a mais notável
Que voz bonita, que tom amável.
Entrou no bar, alguém a olhava.
Num só segundo, notou que amava.
Pensou:
Meu silicone são mamas eternas
e o meu "cacho", fracasso entre as pernas
- Óh Deus, faço tudo que quiser, mas não me deixe gostar de mulher!
A outra, na dúvida pior do mundo,
não sabia que Amanda, era Raimundo.
Pensou:
- Óh Deus, faço tudo que quiser, mas não me deixe gostar de mulher!
Relutaram contra a força do destino
Sem saber que em seus olhos, já casavam a menina com o menino.
Nas vibrações do amor latente, foram viver maritalmente,
Pareciam inocentes noutros assuntos, mas quando transavam gozavam juntos.
Vícios, complexos e papos, compensavam seus trapos.
Mas, veja só o que Amanda fez:
Virou macho de vez! O Raimundo burguês!
- Adeus Raimundo e sua face mesquinha,
não sou mais sua escrava de cama e cozinha
Você era doce, não tem o que tinha
Te cuida, amor.
Te amo, Mundinha.
Adeus. Adeus. "
-Vane Pimentel
[Ouçam a banda vandaluz, música "mulher da roça".
Magnífica[s].]
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Morte certius est
-Mas como é estar morrendo?
-É como se fosse uma epifania, uma conversão. Diante do fim eminente, e sem a crença num pós-morte, num paraíso para a eternidade, você entende que assim como a morte é sutil, a vida é sutil. Você enxerga como as coisas que você vinha fazendo eram desimportantes e levianas, que você vinha desperdiçando sua vida, sua energia, em coisas que não significavam nada realmente. Há o sofrimento inicial, mas depois de um tempo começamos a viver a vida de um modo mais pleno, próximo de como deveria ser vivida. É um milagre, um remédio para o espírito, algo que, se todos experimentassem, seriam pessoas melhores.
-E o que será daqui para frente?
-Há, por vezes, o desespero, de que está-se morrendo e só agora começou-se a viver de modo que realmente importe; é quase injusto (mas a vida é justa?). Quero gritar "já aprendi a lição, pode me liberar desse sofrimento agora?!"! Mas quem me ouvirá?! Os deuses estão todos mortos... resta-me abraçar a morte também, afinal...
terça-feira, 5 de maio de 2009
Metamorfoclastia
Nos medos receios, sem riscos me morro.
No mais que clareio, não mais me recorro
a inócua cautela, safada e singela,
que renega ao humano o ar donde veio.
Em meio ao meneio dos prantos sem vida
as coisas contidas, os ventos baratos
não mais me saciam o claro pulmão.
No dado instante, introspecto a mente
e me vem claramente o como crescer:
o choque dos medos nos sumos desejos,
sem mais prantos secos de outrora se ver
e sem mais prantos mudos, obsessões, sonos surdos
-Temendo-se o grande não podemos viver.
(sendo este o objetivo dos fortes libertos
dos muitos tão certos do ser ou não ser)
terça-feira, 21 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Sombra
a sombra fica onde deveria estar todo o ser
e o corpo passeia por um filme já antigo, remendado.
perde pedaços, mas parece não se importar
mas a pergunta que não se vê resposta: por onde anda a alma?
representativa como a sombra, automática com o corpo, ou buscando a criação de novo espetáculo audio-visual-sensitivo?
acho que não a encontro
mas também não procuro muito
o pacato me envolve, e durmo...
[porque scraps dão bons posts ;]
terça-feira, 3 de março de 2009
De repente me completo [ou me despedaço] de outros modos...
www.fotolog.com/leozoide
Súbito e nulo
vontade de filosofar, de amar
de correr e gritar
mas nada me ocorre à mente...
[embora tudo me ocorra com intensidade, no exato instante efêmero...]
domingo, 25 de janeiro de 2009
Parmênides se equivoca
Energúmeno é o fato de que as pessoas mudam, deixam de sê-las, de um modo inconveninente. Gosto muito de pessoas no passado, que pouco me importam no estado presente.
A gente perde tantas pessoas que tinham potencial...
Ainda bem que também ganhamos tantas outras..
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Eis a questão
De um lado do ringue, a visão fria de mundo, que não quer se deixar levar por ilusões ou levianeidades, que quer preto no branco. Não há deuses, motivos sublimes, apenas nascemos para crescermos, nos reproduzirmos e morrermos, o que há entre isso é para matar o tempo. É assim pois é a verdade lógica do universo, um pensamento amadurecido, liberto das fraquezas humanas, das "muletas mágicas".
Do outro lado do ringue, a visão idealista do mundo, que vive entremeante em ilusões, belezas não necessariamente verdadeiras. Enfeita a existência para seu próprio deleite, guia-se pelo lado humano no âmbito menos racional, pois está ciente de que racionalismo demais é nocivo. Chamam-no fraco, mentiroso a si mesmo, mas não se hesita.
Enfim, a questão é a seguinte:
a verdade fria e desoladora ou a ilusão feliz, descompromissada?