Nos medos receios, sem riscos me morro.
No mais que clareio, não mais me recorro
a inócua cautela, safada e singela,
que renega ao humano o ar donde veio.
Em meio ao meneio dos prantos sem vida
as coisas contidas, os ventos baratos
não mais me saciam o claro pulmão.
No dado instante, introspecto a mente
e me vem claramente o como crescer:
o choque dos medos nos sumos desejos,
sem mais prantos secos de outrora se ver
e sem mais prantos mudos, obsessões, sonos surdos
-Temendo-se o grande não podemos viver.
(sendo este o objetivo dos fortes libertos
dos muitos tão certos do ser ou não ser)
terça-feira, 5 de maio de 2009
Metamorfoclastia
terça-feira, 21 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Sombra
a sombra fica onde deveria estar todo o ser
e o corpo passeia por um filme já antigo, remendado.
perde pedaços, mas parece não se importar
mas a pergunta que não se vê resposta: por onde anda a alma?
representativa como a sombra, automática com o corpo, ou buscando a criação de novo espetáculo audio-visual-sensitivo?
acho que não a encontro
mas também não procuro muito
o pacato me envolve, e durmo...
[porque scraps dão bons posts ;]
terça-feira, 3 de março de 2009
De repente me completo [ou me despedaço] de outros modos...
www.fotolog.com/leozoide
Súbito e nulo
vontade de filosofar, de amar
de correr e gritar
mas nada me ocorre à mente...
[embora tudo me ocorra com intensidade, no exato instante efêmero...]
domingo, 25 de janeiro de 2009
Parmênides se equivoca
Energúmeno é o fato de que as pessoas mudam, deixam de sê-las, de um modo inconveninente. Gosto muito de pessoas no passado, que pouco me importam no estado presente.
A gente perde tantas pessoas que tinham potencial...
Ainda bem que também ganhamos tantas outras..
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Eis a questão
De um lado do ringue, a visão fria de mundo, que não quer se deixar levar por ilusões ou levianeidades, que quer preto no branco. Não há deuses, motivos sublimes, apenas nascemos para crescermos, nos reproduzirmos e morrermos, o que há entre isso é para matar o tempo. É assim pois é a verdade lógica do universo, um pensamento amadurecido, liberto das fraquezas humanas, das "muletas mágicas".
Do outro lado do ringue, a visão idealista do mundo, que vive entremeante em ilusões, belezas não necessariamente verdadeiras. Enfeita a existência para seu próprio deleite, guia-se pelo lado humano no âmbito menos racional, pois está ciente de que racionalismo demais é nocivo. Chamam-no fraco, mentiroso a si mesmo, mas não se hesita.
Enfim, a questão é a seguinte:
a verdade fria e desoladora ou a ilusão feliz, descompromissada?
sábado, 17 de janeiro de 2009
Hope is a dog from hell
.Vim andando - claro, não poderia fazer outra coisa. O sol já se punha, esfriava o tempo, como quem bane as pessoas para as próprias casas e mentes, na introspecção que é a noite solitária.
.Vim andando, me retendo para não olhar para trás, tentando não alongar esse momento meio frustrante, meio bobo. Mas no ímpeto da curiosidade - ou esperança - me viro sutilmente, e me deparo apenas com a mesma paisagem que aí estivera durante a tarde. Faltou algo, que não sei quando aparece, se aparece, apenas aguardo-me, na humildade que desenterro não-sei-de-onde - talvez seja só um capricho do meu orgulho, que se orgulha na própria camuflagem, a vaidade dando-se a ao luxo de satisfazer a outra vaidade, externa a mim. Faltou, talvez, alguém.. donde um vão na minh'alma toma forma e sussura uma alma.
.Vim andando, derrotado apenas hoje, e no resto dos cânones desse dia que se vai.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Diplomacia
Quiseram me ensinar diplomacia. Mas na fúria de observar as mentiras fáceis, o cinismo intrínseco não foi notado. O fato é que menti tanto nos últimos meses que sinto repulsa de mim mesmo. Mentiras diplomáticas; certamente mal-direcionadas e egoístas, mas diplomáticas.
Por mais que eu tente adentrar na devassidão e no hedonismo, meu corpo se nega e só se vêem cicatrizes sobre o pouco desfrute. "O sofrimento traz sabedoria", mas vale mesmo a pena? Que parte do ser pode ser utilizada sem demasiado dano, se a mente, alma ou corpo? Já questiono o quanto posso retomar meu estado equilibrado... Ou o quanto estou sendo sábio no desperdício do meu corpo e alma... A cada vez sei mais coisas, mas estou utilizando esse conhecimento realmente? Pois pelo que vejo estou apenas cometendo os mesmos erros horríveis de antes, e me tornando a pior pessoa possível quando a onda passa...
sábado, 10 de janeiro de 2009
A puta
"Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.
É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta."
- Carlos Drumond de Andrade
Eu quero a puta!
[pois as que amam também odeiam. se magoam, me torturam. me magoam, as torturo. e o ciclo macabro se finda no sonho que não alcanço, o ciclo fatídico prossegue na realidade de que não me livro. e as realidades trocam-se aleatoriamente, minhas realidades e vossas realidades, no ímpeto louco da idéia bipolar que é o amor, morrendo a cada segundo na espinha dos românticos, matando-os a cada segundo. sou romântico que morre da doença dos não-romanticos, por vezes o contrário. mas morro e sempre morro.]
[mas nem a puta funcionou.. keep walking..]